O Cone
Por Sergio Pires
O cone é sem dúvida o mais importante componente de um alto-falante. Sua tarefa consiste em transmitir com precisão ao ar todas as oscilações da bobina móvel, recriando assim com fidelidade as pressões sonoras do programa original.
Para isso, o cone deve ser feito de um material extremamente rígido, de modo a permitir que mesmo as vibrações mais sutis da bobina móvel sejam eficientemente transferidas ao ambiente, proporcionando assim uma reprodução exata do som original.
Entretanto o cone do alto-falante comporta-se como uma peça rígida e única apenas até uma certa freqüência, acima da qual, além das vibrações transmitidas pela bobina, passa a gerar oscilações próprias, chamadas de modos livres. Como estas vibrações não existem no programa original, o resultado é o aparecimento de distorção.
A única maneira de minimizar este efeito indesejável é amortecer as vibrações livres o mais rápido possível, o que pode ser conseguido utilizando na fabricação do cone materiais com alto amortecimento interno.
É aqui que está o problema. Materiais rígidos costumam apresentar baixo amortecimento interno enquanto que aqueles com alto amortecimento interno são via de regra pouco rígidos. Além disso, materiais rígidos são geralmente muito densos o que resulta em cones excessivamente pesados.
É preciso então adotar uma solução de compromisso entre rigidez e amortecimento, utilizando materiais tais como papel e termo plásticos, que apresentam ambas as qualidades acima em grau moderado sem entretanto maximizar nenhuma delas.
A solução BSA

Com o advento de materiais de alta tecnologia, tais como fibra de carbono e KevlarR, extremamente rígidos e leves, uma nova solução foi possível.
Utilizando tecido de fibra de carbono ou Kevlar e através de cuidadoso projeto do cone, pode-se estender a freqüência onde começam a aparecer as vibrações livres de modo a localizá-la acima da freqüência de corte do divisor, eliminando assim completamente a sua ocorrência.
Esta tecnologia permitiu aos engenheiros da BSA concentrarem-se unicamente na rigidez do material do cone, obtendo alto-falantes capazes de reagir com precisão às mais leves oscilações da bobina móvel. O resultado é uma reprodução sonora de alta resolução, detalhada e límpida, impossível de ser conseguida com cones feitos de materiais convencionais.
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